24/07/2014

Espaçador de fios para a rede de distribuição de energia diminui custos finais e traz agilidade à instalação

Instalação se torna mais prática e rápida com o espaçador de fios desenvolvido pelos Institutos Lactec

Instalação se torna mais prática e rápida com o espaçador de fios desenvolvido pelos Institutos Lactec

Foram as dificuldades enfrentadas pelas concessionárias de energia na instalação de espaçadores na rede de distribuição de energia que inspiraram os Institutos Lactec e a Feergs a apresentar à Finep a proposta de pesquisa do regulador de fases de baixa tensão, o REGBT. Com o financiamento do órgão e quatro anos dedicados à pesquisa e testes em diversas regiões do país, o produto foi finalmente apresentado ao mercado em 2014.

Concessionárias de energia já utilizam reguladores de fase, também conhecidos como espaçadores de fios, para manter a distância segura entre os cabos de energia na rede de distribuição. A novidade está na inovação em engenharia de produto, pesquisa de materiais isolantes e técnicas de trabalho. “O desafio trazido pela Feergs foi desenvolver um regulador de fases que não necessitasse de veículo, pudesse ser instalado do chão e utilizasse um único eletricista”, comentou o coordenador do projeto e pesquisador dos Institutos Lactec, Edemir Kowalski. Hoje, para se instalar um espaçador as concessionárias precisam mobilizar ao menos dois técnicos eletricistas e um caminhão equipado com cesto aéreo.

O REGBT foi inscrito na Chamada Pública 001/2009 e recebeu investimento de R$ 788 mil da Finep e outros aportes da Feergs, parceira industrial do projeto, de cerca de R$ 40 mil. Os Institutos Lactec foram contratados para a realização da pesquisa, que foi encerrada em março desse ano. Segundo Kowalski, todos os desafios propostos foram superados. “Outro resultado que obtivemos foi a redução do tempo de instalação de cada unidade de 16 minutos para pouco mais de 2 minutos”, afirmou. Na distância entre dois postes, que é de 30 metros, é possível instalar de cinco a seis espaçadores. “Isso significa que o tempo gasto para se realizar a devida regulação das fases com o novo dispositivo reduz em aproximadamente 90% o tempo de instalação se comparado aos métodos convencionais”, conclui. Na fase de testes, o regulador também sofreu avaliações em condições climáticas e de poluição extrema nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil para testar sua eficiência.

Segundo o presidente da Feergs, Alexandre Müller da Silva, parceiro industrial do projeto, o valor de custo de cada unidade do espaçador é R$ 15,80, frente aos R$ 4 do modelo atual. “Era assustador ver que seu produto após desenvolvido custava mais que o triplo do preço dos espaçadores existentes no mercado”, comentou ele. Müller afirma que isso mobilizou uma investigação mais minuciosa sobre os valores finais, já que no novo método há diminuição de pessoal, equipamentos e tempo de instalação. “Um estudo da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) concluiu que o produto de R$ 4, devido à complexidade dos equipamentos utilizados, acabava tendo um custo final de R$ 29. Já o espaçador de R$ 15,80, sai por R$ 21 com a instalação,” comemora Müller.

Com o resultado econômico viável, a Feergs produziu um lote pioneiro de 10 mil unidades que estão sendo enviadas às concessionárias de energia para homologação. Já participam dos testes a Companhia Estadual de Energia Elétrica – CEEE (RS); a AES Sul (RS) e a AES Eletropaulo (SP); a Companhia Elétrica de Santa Catarina – Celesc (SC); Companhia Paranaense de Força e Luz – CPFL (SP); Companhia Elétrica da Bahia – Coelba (BA). Para Müller, as expectativas de comercialização do produto são boas. “Pela nossa experiência com concessionárias, agora serão cerca e 24 meses para que o produto esteja em circulação, porque a mudança de equipamentos e produtos, principalmente ligados à manutenção das redes de distribuição de energia elétrica passam por alterações nas normas internas de utilização ou revisão completa nos procedimentos internos de trabalho”, comenta. A Feergs informa que nenhum produto foi comercializado até o momento, mas que a AES Eletropaulo já emitiu relatório sobre os testes realizados no processo de homologação do produto.