09/06/2016

Controle de pico de demanda é um dos maiores benefícios que as tecnologias de armazenamento podem promover ao sistema elétrico brasileiro

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Wagner Freire, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, PeD e Tecnologia 

Os institutos tecnológicos Lactec têm recebido muitas empresas interessadas em investirem no promissor mercado de armazenamento de energia, disse o engenheiro químico Juliano de Andrade, da Divisão de Sistemas Elétricos dos Institutos Latec, em entrevista à Agência CanalEnergia. “Empresas vem até a gente querendo desenvolver trabalhos já pensando em planos de negócios.” Os debates sobre armazenamento de energia vêm ganhando força no Brasil. No mundo, a tecnologia já é muito utilizada, principalmente nos Estados Unidos e em países europeus. “A gente precisa começar a olhar esses sistemas de armazenamento, estudar as opções e trazer isso para a realidade brasileira”, defendeu Andrade.

Tradicionalmente, o Brasil utiliza os reservatórios das hidrelétricas para estocar energia em forma de água. Contudo, lembrou o especialista, o país vem perdendo essa capacidade ao optar por uma expansão da matriz apoiada em usinas a fio d’água e em fontes variáveis como eólica e, mais recentemente, a solar. Esse novo perfil de matriz (as UHEs já representaram 90% e hoje são 60%) exigirá novas soluções tecnológicas para garantir a segurança do suprimento de energia.

Segundo o especialista do Lactec, o controle de pico de demanda é um dos maiores benefícios que o power storage pode promover ao sistema elétrico brasileiro. “Temos muitos problemas de consumo durante o pico. O pico de demanda é o que se baseia a nossa rede de transmissão e distribuição e a diferença entre o pico e o consumo médio é muito grande. Têm muitas linhas e subestações que estão no gargalo para transmitir durante o pico. Teríamos que fazer um investimento grande para atender o pico de demanda ao passo que se utilizássemos o sistema de armazenamento desafogaria algumas subestações e postergaria investimentos nesse sentido.”

Armazenar energia significa ter independência temporal para despachar a energia gerada aos centros de consumo de forma estratégica e eficiente. Um procedimento que pode ser essencial para geradores eólicos, fotovoltaicos e distribuidoras de energia que podem aumentar a qualidade e segurança de seu fornecimento.

Os Institutos Lactec destacam-se como um importante player neste mercado, podendo trabalhar junto a concessionárias de geração, distribuição e transmissão de energia em projetos de dimensionamento e implantação de sistemas. “Os Institutos Lactec têm experiência ainda em trabalhar junto a empresas fabricantes de componentes, que, nesse contexto, podem desenvolver tecnologias nacionais para os sistemas de armazenamento de energia, fortalecendo a cadeia de fornecimento”, disse Andrade.

No entanto, para que os projetos saiam do papel o país ainda precisa superar alguns desafios. Entre os obstáculos a serem superados estão a demonstração da viabilidade técnica e dos benefícios à rede da tecnologia; a minimização de custos e riscos de instalação e operação; o estabelecimento de uma cadeia confiável de fornecimento; e a criação de normas técnicas para operação eficiente e segura. “Os especialistas dos Institutos Lactec têm condição de abordar todos estes temas”, afirma o engenheiro lembrando que o primeiro passo é estabelecer uma legislação que defina como a tecnologia poderá ser explorada economicamente no Brasil.

Para tanto, a Agência Nacional de Energia Elétrica planeja lançar neste ano uma chamada estratégica e especifica, por meio do seu programa de pesquisa e desenvolvimento (P&D), voltada para estudos de power storage. A ideia é estimular empresas, universidades e institutos de pesquisa a desenvolver projetos que otimizem o despacho do sistema elétrico nacional, considerando sistemas de armazenamento de energia de pequeno, médio e grande porte, na matriz energética nacional, promovendo também a suavização dos picos entre geração e consumo, em regime permanente, e o estimulo da indústria nacional no desenvolvimento de soluções aplicadas ao tema.

Andrade, que tem colaborado na minuta do P&D, acredita que a chamada deve ser lançada nos próximos dois meses. “O prazo para coleta de propostas de projetos vai ser entre dois e três meses, ou seja, querem uma resposta rápida. A expectativa que a gente tem é que a Aneel está esperando uma contribuição com diversos tipos de armazenamento, com baterias na rede de distribuição, usinas de gás comprimido, usinas reversíveis na geração e transmissão.” Segundo levantamento da Associação Brasileira de Armazenamento e Qualidade de Energia (Abaque), o mercado brasileiro para sistemas de armazenamento de energia está estimado em 95 GW, isso considerando apenas o potencial para uso do consumidor final, como substituição de geradores a diesel entre outras aplicações.

Fonte: CanalEnergia
Data: 08/06/2016
http://www.canalenergia.com.br/zpublisher/materias.asp?id=112264&secao=PeD%20e%20Tecnologia